Tomar decisões com informações incompletas, administrar expectativas, lidar com diferentes interesses e continuar performando mesmo quando o cenário muda. Essas situações fazem parte da rotina de atletas e organizações esportivas, mas estão longe de ser exclusivas do esporte.
Para Duda Rea, que atualmente cursa MSc in Sport Business Management na International University of Monaco, observar a indústria esportiva também permite discutir questões presentes no universo corporativo: como organizações constroem ambientes de performance, de que maneira pessoas respondem à pressão e qual é o papel da gestão na construção de resultados consistentes.
Com atuação também em Psicologia do Esporte, Duda reúne diferentes perspectivas para analisar o desempenho além do resultado final.
"Quando olhamos apenas para o resultado, deixamos de enxergar tudo o que precisou acontecer para que ele fosse possível. Existem pessoas, decisões, relações, processos e uma estrutura por trás de qualquer performance", analisa.
Performance não acontece isoladamente
No esporte de alto rendimento, a atuação de um atleta não depende exclusivamente de talento ou preparação individual. Existe uma estrutura formada por equipes, lideranças, organizações, patrocinadores, profissionais especializados e diferentes interesses que precisam funcionar de maneira coordenada.
No ambiente empresarial, a lógica também passa pela construção das condições necessárias para que pessoas e equipes consigam entregar aquilo que se espera delas. Isso muda a pergunta de "por que determinada pessoa não performou?" para uma análise mais ampla: quais fatores estavam disponíveis para favorecer esse desempenho?
Comunicação, clareza de expectativas, acesso à informação, definição de responsabilidades e qualidade das relações dentro de uma organização podem interferir diretamente na forma como decisões são tomadas.
Decidir quando o cenário muda
Outro ponto observado por Duda é a adaptabilidade diante de situações que exigem respostas rápidas. Uma competição pode mudar em segundos. No mundo dos negócios, uma negociação pode seguir outro rumo, um planejamento pode precisar ser revisto ou uma mudança de mercado pode exigir novas decisões.
Nesses momentos, adaptar-se significa rever estratégias e tomar decisões com base na análise do contexto e em processos bem definidos. No esporte, essa dinâmica fica especialmente evidente: desempenho e escolhas acontecem em ambientes de alta exposição, pressão e velocidade.
O esporte também é uma indústria
Ao cursar o mestrado em Sport Business Management na International University of Monaco, Duda amplia esse olhar para a gestão da própria indústria esportiva. Por trás de atletas, equipes e competições existe um ecossistema de negócios que envolve organizações, marcas, patrocinadores, investidores, profissionais e diferentes públicos.
Construir parcerias, compreender interesses, administrar relações e desenvolver soluções para problemas complexos também fazem parte desse ambiente. É nesse ponto que esporte e negócios encontram uma conexão que vai além da comparação entre um atleta e um profissional de uma empresa.
O esporte pode ser observado como um ambiente organizacional completo, no qual gestão, comportamento, estratégia e performance precisam coexistir.
Resultado é consequência de uma estrutura
Para Duda, compreender performance exige olhar menos para fórmulas prontas e mais para o contexto em que determinado resultado foi construído. O esporte não oferece um modelo que possa simplesmente ser reproduzido dentro de uma empresa. Os ambientes têm regras, objetivos e dinâmicas diferentes.
Mas observar como organizações esportivas lidam com pressão, as relações, a preparação, os interesses distintos e a tomada de decisões pode ampliar as reflexões também no mundo dos negócios. "Antes de o resultado aparecer, existe uma estrutura inteira trabalhando para torná-lo possível."
