O uso da inteligência artificial (IA) na educação tem avançado de forma consistente no Brasil e no mundo, impulsionando debates sobre inovação pedagógica, formação docente e inclusão educacional. O tema esteve entre os destaques da reunião do BRICS realizada em 2025 no país, evidenciando a centralidade da tecnologia nas agendas educacionais globais.
No cenário nacional, algumas iniciativas já apontam para a incorporação prática da IA no ensino básico. No Piauí, mais de 120 mil estudantes do nono ano do ensino fundamental ao último ano do ensino médio da rede estadual participam, desde 2024, de aulas semanais voltadas ao tema. A proposta busca preparar os alunos para compreender e utilizar a tecnologia de forma crítica e aplicada.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) defende que a inteligência artificial deve ser incorporada de maneira responsável aos sistemas educacionais, com potencial para inovar métodos de ensino, personalizar o aprendizado e contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A entidade também destaca o papel da inovação digital na ampliação do acesso à educação e na promoção da inclusão de estudantes com dificuldades de aprendizagem, deficiências ou pertencentes a minorias linguísticas e culturais.
A percepção positiva em relação ao uso da tecnologia também se reflete entre educadores. Pesquisa realizada pelo Instituto Semesp, em março de 2024, apontou que quase 75% dos docentes da educação básica consideram a tecnologia e a inteligência artificial aliadas no processo de ensino-aprendizagem. Embora desafios relacionados à capacitação, infraestrutura e uso ético ainda persistam, o estudo indica que há abertura para a adoção dessas ferramentas no ambiente educacional.
"Nesse contexto, a formação de professores surge como um dos principais pilares para a consolidação da inteligência artificial na educação", afirma Wagner Sanchez, pró-reitor do Centro Universitário FIAP. A instituição de ensino superior firmou uma parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para capacitar todo o seu corpo docente em Inteligência Artificial, com foco na aplicação prática da tecnologia no ensino e na preparação de profissionais alinhados às demandas contemporâneas.
A iniciativa integra o programa "MIT Universal AI", que conta atualmente com 18 módulos disponíveis – com novos conteúdos em desenvolvimento – e abrange desde os fundamentos da IA até programação, inteligência artificial generativa e agentes de IA. O objetivo do programa é preparar educadores para aplicar a tecnologia de forma estratégica e conectada a desafios reais da sociedade, fortalecendo a qualidade do ensino e a formação de profissionais aptos a atuar em um mercado cada vez mais orientado por dados e automação.



