Bares e restaurantes contrataram 250,9 mil jovens de 18 a 24 anos com carteira assinada entre janeiro e junho de 2026. O número coloca o setor em segundo lugar entre 52 atividades econômicas com perfil de contratação semelhante, atrás apenas do comércio varejista. Os dados são de um levantamento da área de dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) feito com os microdados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Os jovens responderam por 36,1% das 694,6 mil admissões do setor no semestre. Nos demais setores comparados, a fatia foi de 30,3%. Na prática, bares e restaurantes contratam proporcionalmente 19% mais jovens.
O varejo lidera em números absolutos porque é o maior empregador do grupo. Foram 2,2 milhões de admissões no semestre, mais de três vezes o volume de bares e restaurantes. Na proporção, os dois setores ficam praticamente empatados: 36,4% dos contratados pelo varejo eram jovens, contra 36,1% em bares e restaurantes.
A presença dos jovens cresceu mês a mês. Em janeiro, eles eram 35,1% das contratações do setor. Em junho, chegaram a 36,6%.
"Um em cada três contratados pelo nosso setor é jovem. É no atendimento e na cozinha que muita gente aprende a lidar com o público e com a rotina de trabalho, e essa experiência acompanha o profissional em qualquer carreira que ele escolha depois. Com o fim da escala 6×1, contratar fica mais caro e a jornada perde flexibilidade. Quem sente primeiro é quem está começando. Por isso defendemos o trabalho por hora, que permite ao jovem conciliar estudo e emprego", afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
Retrato regional
O padrão aparece em quase todo o país. Em 26 das 27 unidades da federação, bares e restaurantes contratam proporcionalmente mais jovens que os demais setores. Rondônia é a única exceção.
O Acre tem a maior fatia. Lá, 47,6% dos contratados pelo setor tinham entre 18 e 24 anos, contra 36,4% nas demais atividades. No Amazonas, foram 42,7%. No Distrito Federal, 40,3%.
Nas capitais, a diferença em relação aos outros setores fica mais evidente. Em São Paulo, 36,9% dos contratados por bares e restaurantes eram jovens, contra 26,8% nos demais setores na cidade. No Rio de Janeiro, a proporção foi de 35,4%, contra 25,0%. Em Belém, de 36,1%, contra 25,9%. Nas três cidades, a vantagem do setor passa de 10 pontos percentuais.
Bares e restaurantes ocupam o segundo lugar no ranking de contratação de jovens em 20 das 27 capitais e o terceiro nas outras sete.
Sobre o levantamento
A Abrasel analisou 14 milhões de admissões registradas no Novo Caged de janeiro a junho de 2026. O setor de alimentação fora do lar reúne restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, com predominância de revenda, e fornecedores de alimentos preparados para consumo em casa. A comparação considera atividades com características produtivas e ocupacionais semelhantes, como comércio, indústria, agropecuária, alojamento e serviços de apoio a empresas. Administração pública, educação, saúde e finanças ficaram de fora porque têm regras de contratação próprias.