Jovens contratam seguro de vida antes de ter filhos

Levantamentos recentes do setor de seguros mostram que uma parcela crescente de jovens brasileiros vem contratando seguro de vida e planos de assistência familiar mesmo antes de ter filhos ou constituir patrimônio. Segundo dados da SulAmérica, o volume de prêmios emitidos para contratantes com menos de 40 anos cresceu 31% entre 2023 e 2024, com avanço de 33,4% no valor médio das apólices.

O movimento também aparece em levantamento da insurtech Azos, que identificou aumento de 88,17% no número de apólices contratadas entre 2023 e 2024, com destaque para as faixas de 20 a 24 anos, que cresceram 139% no período, segundo o estudo. O segmento de seguros de pessoas, como um todo, movimentou R$ 71,9 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a FenaPrevi.

Para Vinícius Chaves de Mello, CEO do Grupo Riopae, que administra o Crematório Metropolitano São João Batista, a ideia de que assistência familiar e seguro de vida são serviços voltados apenas a pessoas mais velhas está perdendo força. "Muitos jovens já estão percebendo a importância de contar com essa proteção, pensando principalmente na proteção financeira em casos de incapacidade física, além de ser uma decisão estratégica, já que a contratação antecipada costuma ser mais acessível do que em idade avançada", afirma.

O principal critério observado por esse público na hora de contratar um plano é a proteção financeira diante de imprevistos. "Se o seguro de vida garante um valor significativo em meio a uma possível incapacidade física, esse já se torna um grande diferencial. E se a assistência familiar oferece benefícios, como descontos em farmácia, clube de vantagens e atendimento médico com condições exclusivas, já fica mais atrativo e propenso à procura por parte de jovens", explica.

Chaves de Mello também associa esse movimento à dificuldade de acesso a serviços públicos de qualidade e ao encarecimento dos planos de saúde tradicionais. "A dificuldade em acessar serviços públicos de qualidade e o encarecimento dos planos de saúde tornam a assistência familiar uma alternativa para jovens que buscam mais facilidade no acesso à saúde", diz, destacando o atendimento médico como um dos benefícios mais procurados por essa faixa etária.

Planejamento financeiro e bem-estar emocional

Na avaliação do CEO, a ausência de planejamento de proteção familiar também tem relação com desafios enfrentados por profissionais mais jovens no dia a dia. "A forma de lidar com as finanças tem mudado a cada geração, envolvendo uma maior busca por estabilidade, uma vez que muitos jovens enfrentam desafios como ansiedade, baixa autoestima e consumo excessivo, fatores que podem contribuir para o endividamento precoce", percebe. Segundo ele, ao perceberem esse cenário, muitos passam a buscar formas de ampliar a proteção financeira e contar com suporte diante de situações inesperadas.

Essa busca por soluções integradas também orienta a estratégia do Grupo Riopae para se aproximar de jovens profissionais. "A integração do seguro de vida à assistência familiar busca facilitar o acesso a serviços essenciais, uma vez que a Riopae oferece 13 benefícios em um único plano, sendo o seguro de vida um deles", detalha Chaves de Mello.

De acordo com ele, os associados contam com proteção financeira conforme as coberturas contratadas, além de benefícios complementares, como descontos em farmácias, assistência pet e clube de vantagens. "É uma forma de oferecer não apenas proteção financeira, mas também amparo em diferentes momentos", completa.

O executivo acrescenta que, entre os benefícios oferecidos pela Riopae, está a cobertura financeira aos beneficiários em caso de falecimento do titular, conforme as condições contratadas em cada apólice, reforçando o caráter de suporte à família em momentos delicados.

O avanço da adesão jovem ao seguro de vida e à assistência familiar indica uma mudança de comportamento que tende a se consolidar nos próximos anos, à medida que mais pessoas passam a associar proteção financeira não a uma preocupação distante, mas a uma decisão estratégica tomada ainda no início da vida adulta. Para o setor, isso representa também um desafio de comunicação: tornar esse tipo de planejamento compreensível e acessível a um público que, em geral, ainda não tinha esse tema como prioridade.

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