Durante décadas, a imagem mais conhecida do comércio entre Brasil e China foi construída por navios carregados de soja, minério de ferro, petróleo e outros produtos de grande escala. Essa pauta continua decisiva para as duas economias, mas o amadurecimento da relação bilateral amplia a discussão sobre setores nos quais o valor não depende somente do volume negociado.
Essa diversificação também aparece na agenda institucional. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) anunciaram estudo sobre os efeitos socioeconômicos do comércio bilateral, com o objetivo de produzir informações que contribuam para ampliar e diversificar essa relação.
Design, joalheria, gastronomia, hospitalidade, serviços, cultura e produção artesanal integram um conjunto diferente daquele formado pelas grandes commodities. Nesses segmentos, procedência, criatividade, acabamento, regularidade e conhecimento do público podem participar diretamente da percepção de valor. Uma gema lapidada, uma peça de design ou uma experiência gastronômica, por exemplo, não disputam mercado somente por quantidade e preço.
É nesse campo que se insere a atuação do empresário chinês Jun Chen. Com trajetória ligada ao Brasil desde 2004 e experiência profissional entre Brasil e China, ele acompanha projetos em diferentes setores, entre eles joalheria, gastronomia e produção especializada. Apesar das diferenças entre essas atividades, sua análise identifica temas recorrentes, como origem, qualidade, relacionamento e capacidade de traduzir expectativas entre mercados.
"Quando existe cuidado com a origem, compromisso com a qualidade e compreensão das pessoas envolvidas, o negócio deixa de ser apenas uma operação comercial e passa a construir confiança no longo prazo", afirma Jun Chen.
A Galeria China-Brasil, em Atibaia, no interior paulista, está entre as iniciativas às quais Jun Chen está ligado. O espaço reúne arte, gastronomia e negócios em uma proposta que aproxima referências dos dois países por meio de experiências presenciais e atividades culturais e empresariais.
Pequena escala não significa pouca relevância
A diversificação não pressupõe substituir as commodities. Grandes operações continuam responsáveis por parcela relevante das trocas comerciais, enquanto projetos especializados podem abrir espaço para empresas menores, profissionais criativos, produtores regionais e prestadores de serviços.
Quando a origem faz parte da proposta de valor, cidades e territórios produtivos também passam a ter maior importância na apresentação de um produto ao exterior. "Origem e qualidade ganham valor quando são compreendidas nos dois lados da relação", reforça Jun Chen.
Nesse processo, internacionalizar exige método. Regras, logística, documentação, propriedade intelectual, canais de distribuição e comportamento de mercado precisam ser considerados ao lado da identidade do produto. O avanço de novas frentes comerciais depende não apenas do que é produzido, mas também da capacidade de apresentar essas características de forma compreensível e verificável no mercado de destino.