Mercado de suplementos cresce e eleva padrão do setor

O Brasil é o terceiro país com maior expansão da demanda por suplementos alimentares, com previsão de crescimento anual de 9,5% entre 2026 e 2036, atrás apenas da Índia e da China, segundo relatório da Future Market Insights (FMI). O estudo indica que o avanço é impulsionado pelo crescente foco do consumidor em saúde preventiva, imunidade e nutrição voltada para o bem-estar.

Um levantamento realizado no Brasil no fim de 2025 e publicado pela Veja, traçou um panorama do comportamento do consumidor de suplementos no país e das tendências de consumo para 2026. Os dados indicam a creatina como o suplemento mais desejado, citada por 57,8% dos entrevistados, à frente do whey protein, com 31,3%, e das vitaminas, com 6,4%. Mais do que apontar um ranking, o levantamento ajuda a entender como o consumo de suplementos vem se reorganizando no curto prazo, dentro de um movimento mais amplo de busca por soluções integradas à rotina e alinhadas a um mercado cada vez mais regulado.

Sandro Botta, CEO da Hilê Indústria de Alimentos, aponta outros ingredientes e formulações com forte tração que tendem a se consolidar ainda mais este ano. "As variações de magnésio, especialmente em blends e diferentes formas químicas, ganharam destaque nos últimos meses. O picolinato de cromo, segue em evidência, frequentemente associado a rotinas de bem-estar e equilíbrio metabólico".

Para o executivo, o protagonismo desses suplementos reflete uma busca do consumidor por soluções de uso contínuo, com comunicação mais funcional e integrada à rotina.

"O mercado sinaliza uma consolidação de formatos mais práticos e integrados à rotina do consumidor. Um dos movimentos mais evidentes é o crescimento dos suplementos em gomas, impulsionado pela facilidade de consumo, maior aceitação sensorial e conveniência no dia a dia", ressalta.

O CEO explica que as gomas ocupam um espaço estratégico, inclusive para transporte e uso fora de casa, mas também como alternativa ao consumo de doces, dialogando com um público que busca reduzir o consumo de açúcar sem abrir mão de praticidade e sabor.

"O avanço deste formato está associado a mudanças de hábito e à busca por soluções que favoreçam a adesão ao uso contínuo, especialmente em rotinas urbanas cada vez mais dinâmicas", enfatiza ele.

Segundo Sandro Botta, as novas tendências em suplementação refletem um consumidor brasileiro mais crítico, que avalia a credibilidade do suplemento que consome.

"O fortalecimento do marketing de influência, baseado em prova social real, mostra que o consumidor tende a acreditar mais na experiência de outras pessoas, evidenciado pelo sucesso de vídeos espontâneos, depoimentos autênticos e conteúdos não produzidos", conta.

O executivo lembra que casos recentes envolvendo grandes marcas, questionamentos sobre procedência e eficácia dos produtos e maior acesso à informação, aumentou significativamente o nível de rigor técnico esperado das marcas.

"A nova regulamentação da Anvisa eleva significativamente a régua de exigência do setor, especialmente no que diz respeito à comprovação da qualidade, segurança e estabilidade das fórmulas", alerta.

Regulamentação

Em agosto de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prorrogou o prazo de adequação à Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 843/2024, que trata da regularização de alimentos e suplementos alimentares no país.

A decisão foi formalizada pela RDC nº 990/2025, que estendeu até 1º de setembro de 2026 o prazo para cumprimento das exigências por fabricantes e importadores de suplementos e alimentos para controle de peso.

Para o CEO da Hilê, esse movimento tende a favorecer marcas e indústrias que já operam com uma cultura sólida de controle e qualidade, ao mesmo tempo em que gera dificuldades para empresas que não priorizam processos técnicos adequados. "A regulação reduz o risco de produtos ineficazes ou inseguros, com impacto positivo para o consumidor final e fortalecendo a confiança no setor", analisa.

De acordo com o executivo, a indústria pode equilibrar inovação, segurança e comprovação científica em um mercado cada vez mais competitivo, por meio da própria evolução regulatória. 

Sandro Botta frisa que, a partir de 2026, os suplementos precisarão apresentar testes de estabilidade, comprovando que a quantidade de ingrediente declarada no rótulo permanece válida e ativa durante todo o prazo de validade do produto. "À medida que o consumidor se torna mais atento à procedência e à credibilidade dos suplementos, o ambiente regulatório também avança, criando um cenário em que o rigor deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico do setor", explica o especialista. 

"Antes, essa exigência não era obrigatória, o que abria espaço para inconsistências e até adulterações. Com a nova regra, a inovação passa a caminhar junto da comprovação científica, obrigando a indústria a testar, validar e documentar seus produtos antes da entrada no mercado. Isso reduz brechas e eleva o padrão geral do setor", afirma.

A análise do FMI avalia que o crescimento futuro do setor é influenciado pela harmonização regulatória, validação científica e tendências de personalização. Segundo o estudo, em comparação com a suplementação tradicional, os produtos atuais passam a priorizar ingredientes respaldados por estudos, novas formas de consumo e padrões de qualidade que asseguram maior consistência e melhor aproveitamento pelo organismo.

Para a Hilê Indústria de Alimentos, o novo momento regulatório representa uma validação do trabalho feito pela empresa há mais de 27 anos. A cultura de qualidade, controle e conformidade sempre esteve presente nas operações da marca.

As principais apostas estratégicas da marca para 2026 são a ampliação da produção de suplementos em gomas e de formatos mais práticos e palatáveis, acompanhando a mudança de comportamento do consumidor. Além disso, a Hilê está expandindo parcerias com marcas nacionais, passando por novos ciclos de auditorias e validações.

"Outro pilar estratégico é a frente educacional, com a criação de cursos e consultorias voltadas a empresas e empreendedores que desejam ingressar no mercado de suplementos, oferecendo orientação técnica, regulatória e estratégica para o lançamento de marcas próprias", complementa Sandro Botta.

Para mais informações, basta acessar:hile.com.br/

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